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O que dá para editar

Data, descrição e valor de cada transação
Tipo de transação (Crédito / Débito)
Identificador único FITID
Banco (BANKID), Conta (ACCTID) e Tipo de conta
Moeda (CURDEF), data inicial (DTSTART) e final (DTEND)
Conteúdo OFX bruto pode ser editado linha a linha

Por que editar em vez de gerar o arquivo de novo

Converter o extrato outra vez não resolve quando o problema não está no extrato. O PDF do banco traz o que aconteceu na conta; o que o seu ERP recusa costuma ser um metadado — o código do banco, o número da conta, o tipo, o período. Gerar um segundo arquivo devolve exatamente o mesmo valor no mesmo campo.

Os casos que aparecem com mais frequência são quatro:

  • O ERP não reconhece o banco. O sistema espera um código específico em <BANKID> e ignora (ou rejeita) qualquer outro.
  • O <ACCTID> não bate com a conta cadastrada. Muitos sistemas casam o arquivo com a conta pelo número. Se você cadastrou 12345-6 e o arquivo diz 123456, a importação não encontra a conta de destino.
  • O período está fora do esperado. <DTSTART> e <DTEND> anunciam o intervalo do extrato. Um sistema que valida o intervalo contra as transações reclama quando eles não fecham.
  • O histórico ficou truncado ou ilegível. Vale corrigir um memo à mão em vez de refazer tudo.

Em todos eles, a correção é de um campo. Editar leva segundos; reconverter não muda nada.

O que cada campo do OFX significa

Um OFX de extrato tem duas camadas: os dados da conta, que aparecem uma vez, e a lista de lançamentos, que se repete. Estes são os campos que o editor lê e reescreve:

CampoO que é
<BANKID>Código numérico do banco (COMPE). Não é o nome.
<ACCTID>Número da conta. Precisa bater com o que o ERP tem cadastrado.
<ACCTTYPE>Tipo da conta: CHECKING (corrente) ou SAVINGS (poupança).
<CURDEF>Moeda padrão do arquivo — no Brasil, BRL.
<DTSTART> / <DTEND>Início e fim do período, no formato AAAAMMDD.
<STMTTRN>O bloco que envolve um lançamento.
<TRNTYPE>CREDIT (entrada) ou DEBIT (saída).
<DTPOSTED>Data do lançamento.
<TRNAMT>Valor, com ponto decimal e sinal.
<FITID>Identificador único da transação.
<MEMO>Histórico/descrição.

Se algum desses nomes ainda soa estranho, o guia o que é o formato OFX explica a estrutura com calma antes de você mexer no arquivo.

BANKID é um número, não o nome do banco

Este é o erro que mais faz importação falhar sem explicação. <BANKID> não aceita Itaú, itau nem Banco Itaú S.A. — ele espera o código COMPE, o número de três dígitos que o Banco Central usa para identificar a instituição. É o mesmo número que aparece no seu comprovante de transferência.

Os códigos dos bancos mais pedidos:

BancoBANKID
Banco do Brasil001
Santander033
Caixa Econômica Federal104
Bradesco237
Itaú341
Nubank260
Inter077
Sicoob756
Sicredi748

Repare que o zero à esquerda faz parte do código: é 077, não 77. Alguns sistemas comparam o texto exato e não reconhecem a versão sem o zero.

Uma pista de que você está mesmo lidando com o número, e não com o nome: ao baixar um arquivo aberto no editor, ele vem batizado com esse código — um OFX do Itaú sai como extrato-341.ofx.

FITID: o campo que decide se sua importação vai duplicar

O <FITID> é a identidade de cada lançamento. Quando você importa um extrato, o ERP guarda os FITIDs que já viu; na importação seguinte, tudo que chega com um FITID conhecido é descartado como repetido. É por isso que dá para importar períodos sobrepostos sem bagunçar o caixa.

Esse mecanismo tem um efeito colateral que pega muita gente: dois lançamentos com o mesmo FITID no mesmo arquivo fazem o segundo sumir. Não aparece erro — o ERP simplesmente entende que já registrou aquilo e ignora. Você fecha o mês com uma transação a menos e o saldo não bate, sem nenhuma mensagem apontando a causa.

O oposto também acontece: se você trocar o FITID de um lançamento já importado, ele deixa de ser reconhecido e entra de novo, agora duplicado.

Por isso, editar FITID à mão é a operação mais arriscada do editor. A regra é conservadora: mexa neles apenas quando estiverem realmente repetidos, e mude o mínimo — acrescentar um sufixo (-2) a um dos duplicados basta e não afeta os demais. Se o lançamento já foi importado antes, deixe o FITID como está.

CHECKING, SAVINGS e CURDEF: recusas silenciosas

<ACCTTYPE> só tem dois valores úteis num extrato bancário: CHECKING para conta corrente e SAVINGS para poupança. Traduções (CORRENTE) ou variações inventadas não são reconhecidas. Quando o campo vem vazio, o editor assume CHECKING, que é o caso da esmagadora maioria dos extratos — mas se a conta cadastrada no ERP for poupança e o arquivo disser corrente, o sistema pode recusar o vínculo mesmo com todo o resto correto.

<CURDEF> é a moeda padrão do arquivo, e no Brasil é sempre BRL. Um ERP configurado em reais que recebe um OFX marcado como USD rejeita a importação ou converte valores por uma cotação que você não pediu. Vale conferir esse campo em arquivos gerados por ferramentas estrangeiras.

Como o editor monta o arquivo (e o que isso muda para você)

Vale saber três comportamentos antes de editar, porque eles explicam resultados que parecem bugs:

  • Quem manda no sinal é o tipo, não o valor. Ao mexer na tabela, o arquivo é remontado com o valor negativo quando o tipo é DEBIT e positivo quando é CREDIT. Digitar um menos no campo de valor não transforma uma entrada em saída — para inverter um lançamento, troque o tipo.
  • Data em branco vira 01/01/1970. Um campo de data vazio não gera erro: ele produz uma data mínima válida, que passa despercebida no arquivo e aparece como um lançamento perdido em 1970 dentro do ERP.
  • O histórico é cortado em 255 caracteres e caracteres como & e < viram entidades no arquivo final — é o que mantém o OFX válido. Você escreve normalmente; a codificação é feita na saída.

Há ainda um detalhe que evita perda de dados: sempre que você mexe no formulário ou na tabela, o texto é remontado com os campos listados aqui. Se o seu OFX original trouxer etiquetas fora dessa lista — saldo, número de cheque, dados do favorecido —, edite direto na caixa de texto bruto e não volte ao formulário depois, senão a remontagem descarta o que ela não conhece.

Tamanho, privacidade e o que fazer depois

O editor aceita arquivos .ofx de até 5 MB — folga enorme para um extrato, que raramente passa de algumas centenas de KB mesmo com milhares de lançamentos, já que OFX é texto puro. O arquivo é processado em memória: ele não é gravado no disco do servidor. O resultado da edição fica disponível por tempo limitado (uma hora, por padrão) e depois é descartado sozinho, então baixe o arquivo corrigido na mesma sessão.

Não é preciso criar conta nem informar e-mail para usar o editor.

Com o arquivo ajustado, o caminho natural é importar. Se o seu sistema continuar recusando, o guia de erros comuns ao importar OFX cobre as causas que não estão nos metadados, e o de importação no Conta Azul, Bling e Omie mostra onde fica a tela de cada um. Se o que você tem ainda é o PDF do banco, comece pelo conversor de extrato para OFX — e, para conferir os números em planilha antes de importar, gere um Excel a partir do OFX.

Perguntas frequentes

O que eu coloco no campo BANKID?

O código COMPE do banco, que é numérico — não o nome. Os mais usados são 001 (Banco do Brasil), 033 (Santander), 104 (Caixa), 237 (Bradesco), 341 (Itaú), 260 (Nubank), 077 (Inter), 756 (Sicoob) e 748 (Sicredi). Mantenha o zero à esquerda: é 077, não 77.

Editar o FITID à mão é seguro?

É a edição mais arriscada do arquivo. O FITID identifica cada lançamento: dois iguais fazem o ERP descartar o segundo silenciosamente, e trocar o FITID de algo já importado faz o lançamento entrar de novo, duplicado. Só mexa quando houver FITIDs repetidos e, nesse caso, acrescente um sufixo a apenas um deles.

Meu OFX tem saldo e outros campos. Eles são preservados?

O editor entende os dados da conta (BANKID, ACCTID, ACCTTYPE, CURDEF, DTSTART, DTEND) e os campos de cada lançamento (tipo, data, valor, FITID e histórico). Etiquetas fora dessa lista, como saldo ou dados do favorecido, permanecem enquanto você editar somente a caixa de texto bruto; se você alterar o formulário ou a tabela, o arquivo é remontado apenas com os campos conhecidos.

Por que uma transação ficou com data 01/01/1970?

Porque o campo de data daquele lançamento ficou vazio. Sem data, o editor grava a data mínima do formato em vez de falhar. Preencha a data no formato dd/mm/aaaa e o valor correto volta ao arquivo.

Coloquei um sinal de menos no valor, mas ele voltou positivo. Por quê?

Porque o sinal é definido pelo tipo do lançamento, não pelo que se digita no valor: DEBIT sempre sai negativo e CREDIT sempre sai positivo. Para transformar uma entrada em saída, mude o tipo de CREDIT para DEBIT em vez de digitar o menos.

Qual o tamanho máximo do arquivo e o que acontece com ele?

O editor aceita arquivos .ofx de até 5 MB, o que é bastante para extratos com milhares de lançamentos. O arquivo é processado em memória e não é gravado no disco do servidor; o resultado fica acessível por cerca de uma hora e depois é descartado automaticamente. Não é necessário cadastro.