Todo ERP importa OFX do mesmo jeito (e isso ajuda)
Cada sistema tem seu nome de menu, mas o mecanismo por trás da importação é praticamente idêntico em todos — e entendê-lo vale mais do que decorar caminhos. Três comportamentos se repetem em Conta Azul, Bling, Omie, QuickBooks, Nibo, Sage e na maioria dos sistemas brasileiros:
- O OFX não cria a conta bancária. O arquivo diz a que conta pertence, mas quem precisa existir antes, cadastrada, é a conta. Importar sem cadastro não gera conta nova — gera erro.
- O casamento é feito pelo identificador único de cada transação, o campo
<FITID>: o ERP guarda os que já viu e descarta o que reconhece. É por isso que reimportar período sobreposto não duplica o caixa — e por que identificadores repetidos fazem lançamentos sumirem calados. A mecânica completa está em FITID: por que um lançamento entra duas vezes. - Importar não é lançar. A importação não joga nada no resultado da empresa: abre uma fila de conciliação, onde cada linha espera ser casada com um título já existente ou virar lançamento novo. Enquanto você não confirma, nada está contabilizado.
A ordem certa de trabalho
Quase todo problema de importação é, na verdade, um problema de ordem. Esta sequência funciona em qualquer sistema:
- Cadastre a conta bancária primeiro, com o banco e o número como aparecem no arquivo.
- Importe o OFX, um período por vez.
- Concilie: case cada linha do extrato com o título que já estava no sistema.
- Só então lance o que sobrou — tarifas, tributos, rendimentos, estornos.
Inverter os passos 3 e 4 é o erro clássico: quem lança primeiro e concilia depois cria um título novo para algo que já existia, e termina com a despesa em dobro no relatório, ainda que o extrato tenha entrado uma vez só.
Revise o arquivo antes de subir
Corrigir depois é mais caro do que conferir antes: em vários sistemas, desfazer uma importação exige estornar lançamento por lançamento.
O jeito mais rápido é gerar um Excel a partir do OFX e olhar a planilha — a quantidade de lançamentos contra o extrato, o primeiro e o último dia do período, a soma de créditos e débitos contra a variação de saldo. Achando um erro de data, conta ou histórico, ajuste no editor de OFX online antes de importar. O roteiro completo está em como validar um arquivo OFX antes de importar.
O passo a passo de cada sistema
Os caminhos de tela, as exigências e as armadilhas próprias de cada produto estão em guias dedicados:
- Conta Azul — a importação vive dentro da conciliação bancária, e as sugestões automáticas por valor e data pedem conferência onde há valores repetidos.
- Omie — permite criar o lançamento sem sair da tela de conciliação, o que acelera o fechamento e facilita gerar avulso para algo que já tinha título aberto.
- Bling — pensado a partir das vendas, exige atenção para não transformar o recebimento de um pedido em receita paralela.
- Domínio Sistemas — usado por escritórios contábeis, converte o extrato em lançamento contábil por meio de um de-para entre histórico e conta.
O restante desta página trata do que é comum a todos, e das diferenças que valem para qualquer combinação de sistemas.
Sistema de gestão e sistema contábil não querem a mesma coisa
Existe uma divisão que explica boa parte das frustrações de quem troca de ferramenta, e ela não costuma ser dita com clareza. Os programas que aceitam OFX se dividem em duas famílias com objetivos distintos.
Os sistemas de gestão, adotados pela própria empresa, tratam o extrato como material de conciliação: querem descobrir a qual título em aberto cada movimentação corresponde, para dar baixa. O produto do trabalho é um financeiro em dia, com contas a pagar e a receber quitadas.
Os sistemas contábeis, operados por escritórios, tratam o mesmo arquivo como matéria-prima de escrituração: querem descobrir em quais contas do plano cada valor deve ser registrado. O produto do trabalho é um razão consistente.
Quem migra de uma família para a outra sente falta de recursos que simplesmente não fazem sentido no destino, e procura telas que não existem. Não é limitação do software: é diferença de finalidade. Empresas que usam gestão própria e ainda terceirizam a contabilidade acabam importando o mesmo extrato duas vezes, em dois sistemas, para dois fins — e isso é normal, não desperdício.
QuickBooks, Nibo, Sage, Totvs e os demais
No QuickBooks, o arquivo entra pela área de transações bancárias, no mesmo lugar da conexão automática com o banco. Duas particularidades se destacam: a detecção de duplicatas por identificador é forte, o que costuma barrar reimportação acidental sozinha; e, por ser produto internacional, ele é sensível à moeda declarada — um arquivo que não informe reais numa empresa em BRL gera confusão de câmbio.
Os demais nomes frequentes em escritórios — Nibo, Sage, Totvs, Alterdata, Senior, além de Tiny, ContaLX e Granatum — seguem o desenho geral: conta cadastrada, importação dentro do financeiro, tela de conciliação.
O que varia entre eles é o rigor da validação. Ferramentas de finanças pessoais como Mobills, Organizze, YNAB e GnuCash aceitam quase qualquer arquivo; sistemas voltados à contabilidade conferem número de conta, coerência do período e integridade da estrutura. É por isso que o mesmo OFX entra num aplicativo pessoal e é recusado por um sistema profissional — e, quando isso acontece, o arquivo costuma ter mesmo um defeito, que o permissivo preferiu ignorar.
O que muda de um sistema para outro
As diferenças que realmente dão trabalho são poucas:
- Exigência do código do banco. Alguns só vinculam o arquivo à conta se o código numérico do banco bater com o do cadastro; outros ignoram o campo e usam a conta escolhida na tela. Os códigos mais usados estão na tabela do editor de OFX.
- Formato do número da conta. Muitos casam arquivo e conta pelo número, e
12345-6e123456são textos diferentes: cadastro com dígito e arquivo sem dígito não se encontram. - Tipo da conta. Corrente e poupança são valores distintos. Uma conta cadastrada como poupança pode recusar um arquivo que se declara corrente, com todo o resto certo.
- Limite de período. Alguns aceitam um mês por importação; outros, o ano inteiro. Havendo limite, quebre por mês — é mais fácil conferir e desfazer.
- Versão do OFX. Boa parte dos ERPs brasileiros lê apenas OFX 1.0 (SGML), não a variante XML. É o dialeto que o nosso conversor de extrato gera; a diferença entre as gerações está no guia o que é o formato OFX.
Quando o ERP recusa a importação
Quatro mensagens respondem pela maioria das falhas, e a causa está no cadastro ou no arquivo:
- "Conta não encontrada" — a conta não existe no sistema, ou existe com o número escrito de outro jeito.
- "Período já importado" — o arquivo cobre dias que já entraram. Nem sempre é problema: onde a detecção por identificador funciona, o sistema ignora só o que já tem.
- Lançamento repetido depois de importar — quase sempre é conciliação fora de ordem, com título criado à mão para algo que o extrato trouxe.
- "Formato inválido" — o arquivo não está no dialeto esperado, ou foi salvo por um programa que quebrou a estrutura.
O guia de erros comuns ao importar OFX destrincha cada sintoma e sua correção.
Depois de importar
A etapa final é a mesma em todos: revisar as conciliações sugeridas, categorizar o que ficou solto e confirmar o saldo contra o extrato. Se bate, o mês fechou; se não bate, falta lançamento — e a diferença costuma ser exatamente o valor do que ficou de fora.
Para quem repete isso todo mês, o guia de conciliação bancária para MEI e contadores mostra como virar rotina. Se o banco do cliente só entrega PDF, o conversor de extrato para OFX gera o arquivo — do Banco do Brasil ao Nubank. E se o seu sistema exigir algo que não cobrimos, conte para a gente.
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