Antes de começar: 90% dos problemas nascem aqui
Converter o PDF leva segundos. O que dá errado quase sempre foi decidido antes do envio: veio a conta errada, o período estava pela metade, ou o arquivo era uma foto da tela. Por isso o roteiro abaixo começa longe do botão: baixar o PDF original no canal certo, conferir conta e período, enviar e validar o resultado.
Um atalho antes de tudo: veja se o seu banco já entrega OFX. O Nubank manda o extrato por e-mail com o PDF e a versão OFX no mesmo anexo. Se o OFX já está lá, não converta nada.
Passo 1 — Baixe o extrato em PDF (caminho por banco)
Cada banco esconde o botão em um lugar, e alguns só liberam o PDF em um dos canais:
- Banco do Brasil — no app, Extrato, escolha a conta e o período e toque nos três pontinhos; no Internet Banking, Conta corrente > Extrato e o ícone de download no canto superior direito. Escolha PDF.
- Itaú — o detalhe que faz perder tempo: o PDF não sai pelo app do celular. Use o internet banking no computador, Conta corrente > Extrato, escolha o período (lá dá para puxar além dos 90 dias), clique em Opções, à direita, e em Salvar PDF.
- Bradesco — no Internet Banking, "Saldos e Extratos" > "Extrato Mensal / Por Período", selecione conta e período, Buscar, e use "Salvar como arquivo" em PDF. No app, "Saldos e Extratos" e "Compartilhar extrato".
- Caixa — no app, "Minha conta" > "Conta" > "Extrato por período", informe data inicial e final, Continuar, e compartilhe salvando em PDF. No internet banking, Imprimir > Salvar como PDF.
- Nubank — na tela inicial, "Conta", deslize a barra abaixo do saldo para a esquerda e toque em "Exportar extrato". Escolha o mês; o arquivo chega por e-mail, não fica no app.
- Banco Inter — no Super App, Extrato na tela inicial da conta, filtre as datas, Consultar e exporte em PDF. No Internet Banking, Conta Digital > Extrato > Exportar.
Não é o seu banco? Cada instituição suportada tem página própria com instruções — veja a lista de bancos.
Passo 2 — Confirme que é a conta certa
"Extrato" não é uma coisa só. O mesmo login oferece documentos diferentes, e eles não são intercambiáveis:
- Conta corrente — o que quase todo mundo quer conciliar: entradas e saídas do dia a dia.
- Poupança — extrato separado, com rendimento e aniversário. Se você concilia a corrente, ele não entra.
- Conta vinculada / garantida — valores retidos, com layout próprio. Raramente é o que o contador pediu.
- Investimento / aplicação — mostra posição, aplicação e resgate, não fluxo de caixa. Importar na corrente polui a conciliação com lançamentos que não existiram no banco.
- Adquirência / recebíveis (maquininha, gateway) — relatório de vendas e repasses, não extrato bancário. Lista valores a receber, com datas futuras.
A regra: pergunte-se qual saldo você quer fechar. Se a resposta é "o da conta corrente", pegue esse extrato — e só ele. Misturar dois documentos no mesmo período é a origem silenciosa de um saldo que nunca bate.
Passo 3 — Escolha o período com cuidado
Sempre que der, exporte o mês fechado — do dia 1º ao último dia. Três motivos:
- O saldo tem onde apoiar. Um mês fechado começa no saldo do fim do mês anterior e termina no do fechamento: dois números para conferir. Um recorte de 12 a 27 não bate com nada.
- Evita buracos. Exportações "dos últimos 30 dias" feitas em datas diferentes deixam dias sem cobertura entre um arquivo e outro — falha que só aparece meses depois.
- Evita sobreposição. Se o arquivo de março vai até 5 de abril e o de abril começa no dia 1º, cinco dias entram duas vezes.
Um OFX bem gerado dá a cada lançamento um identificador único, e a maioria dos sistemas usa isso para ignorar o que já entrou — mas não conte com essa rede: nem todo ERP respeita. Se já duplicou, veja o guia de erros comuns na importação.
Lembre que vários bancos só dão acesso aos últimos 90 dias pelo app: para meses antigos, é o internet banking no computador que resolve.
Passo 4 — PDF original, não print, foto ou scan
É o item que mais muda a qualidade do resultado e o mais fácil de acertar: salve o arquivo que o banco gerou. Não fotografe a tela nem o papel, não imprima e escaneie.
O teste leva dois segundos: abra o PDF e tente selecionar um valor com o mouse. Se selecionar, há texto de verdade ali dentro e a leitura é exata — os números saem do arquivo, não são adivinhados.
Se não selecionar nada, o PDF é uma imagem (scans e arquivos feitos com "Imprimir para PDF"). Esses também convertem — o sistema detecta a ausência de texto e faz reconhecimento óptico sozinho —, mas OCR é leitura por aparência e pede conferência mais atenta. A página inicial detalha o caso.
Extrato que chegou por e-mail já é o original: encaminhe o anexo, não um print dele.
Passo 5 — Envie o arquivo
Com o PDF em mãos, abra a página do conversor, selecione o banco e envie. Antes de clicar, um checklist de dez segundos:
- É mesmo um
.pdf— não um.jpgrenomeado: o arquivo é validado e um falso PDF é recusado na entrada. - Cabe em 10 MB — o limite do envio. Extratos raramente chegam perto; se o seu passou, costuma ser um scan em alta resolução, e quebrar por período resolve.
- Todas as páginas estão ali — exportar um "página 1 de 7" e salvar só a primeira é mais comum do que parece.
- Sem senha — se o banco protegeu o arquivo, salve uma cópia sem proteção.
O campo do banco é uma dica, não uma ordem: se você errar, o documento tem a palavra final e a conversão é reencaminhada para o leitor correto.
PDFs com texto voltam na hora; escaneados grandes vão para uma fila com tela de progresso — deixe aberto que o resultado aparece sozinho.
Passo 6 — Valide o OFX antes de importar
Desfazer uma importação errada custa muito mais que checar quatro números:
- Quantidade de lançamentos. Conte no OFX e compare com o extrato — é o teste mais direto para página faltando ou seção que ficou de fora.
- Primeira e última data. Precisam cair dentro do período pedido; data fora da janela denuncia leitura errada.
- Saldo final. Saldo inicial mais créditos menos débitos tem que dar o saldo final do extrato. Bateu na casa dos centavos, o arquivo está íntegro.
- Sinais coerentes. Tarifa e pagamento saem negativos, recebimento entra positivo. Uma coluna invertida salta aos olhos.
A forma mais rápida de fazer os quatro de uma vez é gerar um Excel a partir do OFX: some a coluna de valores, olhe os extremos das datas e confira o total contra o rodapé do extrato. Achou um detalhe fora do lugar — histórico truncado, lançamento sobrando —, acerte no editor de OFX online.
Só então importe. Se o sistema reclamar, o guia de importação em Conta Azul, Bling e Omie cobre o caminho de cada um.
Se o conversor não reconhecer o seu extrato
Layouts mudam sem aviso. Quando um leitor dedicado não encontra transações, um leitor genérico assume e interpreta o texto — costuma dar conta, mas confira com atenção redobrada.
Se vier errado ou vazio, antes de desistir:
- Veja se o PDF tem texto selecionável (o teste do Passo 4). Resultado vazio quase sempre é PDF-imagem em baixa resolução.
- Tente outro canal. O PDF do internet banking e o do app têm layouts diferentes — e o do computador costuma ser mais completo.
- Confirme que o período tem movimentação. Um mês sem lançamentos gera um OFX vazio, e está correto assim.
Persistiu? Mande uma mensagem com o banco, o tipo de conta e o canal de onde saiu o PDF — é o que permite reproduzir o caso, e é assim que decidimos quais layouts implementar primeiro.
Em dúvida sobre qual formato pedir ao banco? Veja OFX, CSV e XLSX e o que é o formato OFX.
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